A redoma de vidro: desdobramentos entre o romance de Sylvia Plath e a normatização dos valores da mulher na sociedade ocidental.
O presente artigo busca identificar a partir dos conflitos vividos por Esther, a personagem central do romance A Redoma de Vidro, de Sylvia Plath, a binaridade de gênero como um aparato de (re)produção de normas no âmbito social e jurídico. Considerar-se-á, neste escopo, tanto o caráter restritivo da norma quanto o produtivo; este último associado à delimitação de subjetividades enquadradas nos campos de inteligibilidade do "masculino" e do "feminino" e aos valores internalizados pelo corpo social enquanto referenciais. As vivências da protagonista de Plath, marcadas constantemente pela inadequação de seu comportamento às expectativas a respeito de seu papel de mulher e de sua feminilidade, serão analisadas na esteira dos escritos de Michel Foucault e Judith Butler, os quais permitirão a compreensão acerca dos dispositivos de criação e implementação das referidas normas. Com isso, almeja-se refletir sobre a delimitação das fronteiras de gênero como uma poderosa ferramenta de controle social que enseja a regulação, por parte dos aparatos legais e disciplinares, do que é considerado normal ou anormal.
Data de publicação: março de 2021.